15 de Agosto de 2008

O DIREITO À PREGUIÇA

- Caraca, tô trabalhando tanto, sem tempo pra nada... Affff!

- Graças a Deus, né?

0.o

Como assim, 'Graças a Deus'? Não sei que diabos passa pela cabeça da maioria das pessoas, mas vamos combinar que trabalhar o tempo todo, sem tempo pra mais porra nenhuma não é nada bom.


Há um texto do Paul Lafargue intitulado "O DIREITO À PREGUIÇA". Ele analisa a situação dos trabalhadores do final do séc. XIX e defende o trabalho diário de 3 horas. Pode parecer, assim, de cara, papo de vagabundo, mas não é não. É um texto muito bom, que retrata muito bem a situação de quem vive apenas para trabalhar, não por gosto (O.o), mas por necessidade.
“É nas nações pobres que o povo está à sua vontade; é nas nações ricas que de um modo geral ele é pobre.”
(...)

Trabalhem, trabalhem, proletários, para aumentar a fortuna social e as vossas misérias individuais, trabalhem, trabalhem, para que, tornando-vos mais pobres, tenham mais razão para trabalhar e para serem miseráveis. Eis a lei inexorável da produção capitalista.

Porque, ao prestarem atenção, às insidiosas palavras dos economistas, os proletários se entregaram de corpo e alma ao vício do trabalho, precipitam toda a sociedade numa destas crises de superprodução que convulsionam o organismo social. Então, porque há superabundância de mercadorias e penúrias de compradores, as oficinas encerram e a fome fustiga as populações operárias com o seu chicote com mil loro. Os proletários, embrutecidos pelo dogma do trabalho, não compreendem que é o supertrabalho que infligiram a si próprios durante o tempo da pretensa prosperidade a causa da sua miséria presente, em vez de correrem ao celeiro de trigo e de gritarem: “Temos fome e queremos comer!... Sim, não temos nem uma moeda, mas, pobres como estamos, fomos nós quem ceifou o trigo e vindimou a uva...” - Em vez de cercarem os armazéns do Sr. Bonnet de Jujureux, o inventor dos conventos industriais, e de clamar: “Sr. Bonnet, aqui estão as vossas operárias ovalistas (operárias que tornam as sedas ovais), moulineuses (operárias que fiam e torcem mecanicamente os fios de seda crua), fiandeiras, tecedeiras, elas tremem de frio nos seus tecidos de algodão passajados de modo a condoer os olhos de um judeu e, no entanto, foram elas que fiaram e teceram os vestidos de seda das cocotes de toda a cristandade. As desgraçadas, trabalhando treze horas por dia, não tinham tempo de pensar na “toilette”, agora, elas estão desempregadas e podem ostentar um grande luxo com as sedas que trabalharam. Mal perderam os dentes de leite, dedicaram-se à sua fortuna e viveram na abstinência; agora elas têm tempos de lazer e querem gozar um pouco dos frutos do seu trabalho. Vamos, Sr. Bonnet, entregue as suas sedas, o Sr. Harmel fornecerá as suas musselinas, o Sr. Pouyer-Quertier os seus paninhos, o Sr. Pinet as suas botinas para os seus queridos pezinhos frios e úmidos... Vestidas dos pés à cabeça, dar-vos-á prazer contemplá-las. Vamos, nada de hesitações - o Sr. É amigo da humanidade, não é verdade? E cristão ainda por cima! - Ponha a disposição das suas operárias a fortuna que estas lhe construíram com a carne da sua carne. - É amigo do comércio? - Facilite a circulação das mercadorias; eis consumidores acabados de encontrar; abra-lhes créditos ilimitados. É obrigado a fazê-lo a negociantes que não conhece de parte nenhuma, que não lhe deram nada, nem sequer um copo de água. As suas operárias pagarão como puderem: se, no dia do vencimento, elas fogem e deixam protestar a letra, levá-las-á à falência e, se elas não tiverem nada para penhorar, exigirá que elas lhe paguem em orações: elas enviá-lo-ão ao paraíso, melhor do que os seus sacos negros com o nariz cheio de tabaco.”

Trabalhar é bom, é necessário, tem que fazer parte da nossa vida, e não tomá-la por inteiro. Sei que a vida não é nada fácil, e que é preciso trabalhar feito um corno para se conseguir o mínimo de dignidade. Mas o fato de ser necessário, não significa exatamente que seja justo, não é?

Se não estiverem, como eu, trabalhando que nem uma condenada no final de semana, taí uma dica bem bacana de leitura!




E bom descanso a todos vocês!!!

4 comentários:

Amigao disse...

Nem li o texto do cara.Só de pensar na palavra Trabalho, ja fiquei cansado.
eu to de ferias.Uma semaninha aqui sem fazer nada e a outra no Rio, também sem fazer nada.
Tá muito dificil esta vida
Beijos e até semana que vem

Luca disse...

heueheue

eu tb não li o texto, mas o tanto de coisas q eu tenho pra resolver não é balela. e olha q já larguei um (eram dois) dos trabalhos, para eu relaxar mais!

na semana q vem, pedirei dispensa do outro. huhuhu

NANA disse...

Ju, desde o dia ue vc me passou o link aconteceu tanta coisa e ainda não li.
Mas está salvo no PC.
Não quis ler o trecho aqui pq prefiro ler todo depois e com calma.

Mas se for como estou pensando, eu simpatizo com a idéia. O trabalho que um pessoa realiza em 10h c/ remuneração de R$2.000 pode ser dividido p/ 2 pessoas que trabalhem 5h cada recebendo R$1.000. O exemplo é mal elaborado, mas se a lógica for +/- essa, é exatamente o que sempre pensei, pois garante emprego e redistribui melhor a renda.

É uma pena que poucas pessoas tenham lido o post e comentado =/

Bêjos Ju

DrummerChick disse...

Minina, vc teeem que ler "A farsa da boa preguiça", de Ariano Suassuna! Tem um prefácio que é nessa mesma linha e é ainda melhor que a própria peça!

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Anda, desembucha!



 
Yoomp